sábado, 25 de julho de 2009

Rio de Salazar

Após longa jornada retorno aos meus escritos que já me despertavam saudades. Após a batalhatravada na defesa de minha tese, escrevo agora com uma certa leveza, uma pulsão diferenciada.
Li há pouco Rio das Flores, do português Miguel Sousa Tavares - que insisto em chamar de Manuel Sousa Teixeira talvez por me soar um nome mais lusitano e também possuir as mesmas iniciais esquerdistas. Um de seus personagens se desencanta com Lisboa do início do século passado sobretudo por se sentir sufocado em um Portugal condenado a uma ditadura pleonasticamente estúpida. Talvez por influência da obra e somado a uma percepção de quem passa pela cidade com um olhar curioso, começo a me sentir assim em relação ao que o Rio está se tornando.
Hoje em dia a cidade me parece um amontoado de letras perdidas num caos que tem tudo para ser explendidamente criativo, porém, em cada margem, em cada linha de todas as páginas reinam espaços de desencontros forçados que não permitem a reunião das letras para formar sonoras palavras e nem destas para completar frases que precisam ser escritas. A recém criada secretaria de ordem pública é o projeto acabado de uma censura urbana que se consolida como rumo de um futuro triste onde há polícia em todas as esquinas com armas brutais comandando proto-bestas fardadas.
Salazar se mudaria para cá, se o romance de MST se passasse no século XXI.


Um comentário:

Roberto Reis disse...

Olha... alguém está ousando mais nas fotos...rs Ficou muito boa.