segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O oriente

Tudo começou, como tinha que ser, com "Cem anos de solidão". Macondo era o labirinto da confusão absoluta, Axaxaxas. Aquela obra me fez enxergar o prêmio Nobel de literatura, diferentemente do de economia, com certo respaldo, e eis que experimentei Saramago. Dado o segundo acerto, fitei-me com Pamuk. Mas sobre este despejava uma segunda intenção,  a cidade de Istambul, que ainda será tema deste blog. 
Na verdade, estava em busca era do oriente. Não do oriente místico, distante, mas do nosso. Porque não há maneira mais miserável de se viver em nossas terras, seja quais forem elas, do que se imaginar percorrendo um espaço ocidental puro, que não há, nem aqui nem no ocidente.
E eis que, pouco tempo depois de Pamuk, cai em minhas mãos Oz, não o mágico, mas seu sobrinho-neto (foi ele quem disse isso), Amós.
E eis que o oriente, sem que eu o procurasse, se esfrega, de novo, à minha fronte. Mas a coincidência maior, para aqueles que acreditam nela, é que os dois escritores abordam a maneira pela qual seus lugares tentam se adaptar à vida ocidental como se isso lhes trouxesse um quê de modernidade, de avanço, quando costuma apresentar um quê de rídículo.
Não há nada mais miserável, repito, que tentar ser ocidental. O Rio de Janeiro nunca será Paris, por mais que queira, pelo simples fato de que as cidades, como os livros, são únicas. E nada mais sem graça do que uma cidade querendo ser outra. Seria como se estes escritos quisessem sair de outras mãos, de outro corpo. 
Não há cidades iguais, engana-se quem pensa que Lima se assemelha a Buenos Aires, que é igual a São Paulo e que, como em Utopia, quando se conhece uma cidade, conhece-se todas. Aqueles que pensam assim se perdem sempre nos labirintos urbanos sem saber. Eu me perco sabendo, desejando me perder e àqueles que dizem nunca terem se perdido, imagino que isso ocorra por nunca, na verdade, terem-se ido. Fogem, deliberadamente, da rinha.



Um comentário:

Gustavo disse...

Nada mais eco-chato que uma balsa de PET.

p.s.: Belo texto!